Existem algumas perguntas que são fatais. " O seu dia está tranquilo hoje ?" Isso já entrega que um pedido virá em seguida. Puf ! O tiro foi certeiro. "Você pode levar meu carro para fazer a vistoria ?" Resposta fatídica : "posso". Trocam-se as chaves e as tralhas, ambos as carregamos em nossos meios de transporte de cidade espalhada e sem maiores lógicas no transporte público : nossos carros.Só não trocamos os documentos porque os do carro dele foram levados ontem junto com a mochila, raquetes, presentes e roupas. Furto. Esse foi o acontecido de ontem. Arrombaram a porta do carro e fizeram a festa. E que festa ! Até presente tinha! Engolida a péssima sensação de invasão o que resta é tomar providências burocráticas. Fazer um B.O e a tal vistoria . Lá fui eu no início da tarde para o centro de polícia especializada. Para minha gratíssima surpresa e alívio colgate , estava vazio e fui prontamente atendida. Papel vai , papel vem e chega minha vez. Um primo que no momento tem função importante no órgão aparece e entre alguns copos de água proseamos um tiquinho. O homem é importante lá dentro porque é um tal de doutor para cá , doutor para lá que me restou ficar ali espalhando sorrisos simpáticos de quem denuncia que é um ET na área. Alguns minutinhos de enrolação passam e nos dirigimos à área de trabalho. Mais papo , técnicos diga-se de passagem : " você é que vai ver a ocorrência? Tem cadáver?" , " Hoje estou de MV " ( morte violenta) , " você é que vai ser o monitor do curso de tiro ok?" , " quantas vítimas no assalto?" , " mataram o JC porque confundiram ele com terrorista" , e assim, em meio aos tais termos técnicos conjugo o verbo esperar com um detalhe : de orelhas em pé! MV , cadáver , tiro , assalto. Coisinhas corriqueiras para a nação policial . Não posso negar que tive uma tarde bem diferente das usuais e que foi divertido. Será que a noção de diversão engloba conversas desse porte ? Para quem anda vendo tudo com olhos de cronista...
O policial encarregado de colher digitais passa um pózinho estilo grafite por toda a porta que foi vítima do gatuno , assim como no porta- malas. Munido de pincelzinho , potinho e paciência ele vai aqui e ali espalhando o tal produto. Uma hora depois fui liberada. Ah , sem antes ter ouvido mais umas historinhas técnicas : furto em residência , investigação de assassinato , punição de menor infrator..."Agora a senhora pode lavar o carro". Que alívio ! O tal pozinho suja igual fuligem.
Saio dali achando graça pela tarde diferente , mas refletindo na "normalidade" destas ocorrências. Nesse país continente furto , assalto , assassinato , falcatrua , desrespeito e cia são coisas comuns , naturais até.
Agora estou em casa e eles lá fora com seus pozinhos e chaves-de cabra.
Qual será o significado da palavra normal?
Não me arrisco a responder.O que sei é que pegar o que não é meu transcende noções de propriedade. É questão de consciência e responsabilidade.
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