segunda-feira, 27 de março de 2017

O fio.

Semana passada me aventurei por memórias antigas, dessas que grudam e se misturam com nossa identidade.
Visitei lugares conhecidos, emoções conhecidas, falas conhecidas, a mesmice conhecida.
Desconheci.
Tudo estava nu: minhas crenças, meus conceitos, minhas máscaras, meus corpos. Tudo ficou absolutamente desprovido de qualquer camada.
Encarei minha transparência, minha aparente decência, minha absoluta impaciência.
Senti minhas dores e suas cores. Bambeei por abismos de desesperança.
 Meu pequeno céu esteve escuro e denso. Incômodos orbitaram meu ego.
Nestes dias turbulentos quase acreditei que sou(era) só isso. Eu sou só, não sou isso.
Desci alguns degraus e já ia esquecendo como voltar. Foi quando me lembrei de Ariadne e seu fio salvador que a conduziu para fora do labirinto.
...
Aqui fora o arco-íris reina e o fio que me salvou dá risadas gordas.
Salve Adriana!
Salve Adriana!