domingo, 16 de novembro de 2014

E os grilos cantam.

Agora já é quase segunda-feira,  mas até pouquinho tempo era domingo.
Domingo em família, com família, para a família.
Papai, mamãe, irmão, titia. Família.
...
Acordei no raiar das 06:30, só que  deixei a preguiça me levar e levantei perto das 09:00. Entre cochilos e acordadas me perguntei porque tinha que levantar.
Levantei sem uma resposta, ou melhor, levantei porque tinha que levantar. E isso é resposta?
Enfim.
Percebi de cara que seria um dia de chatices.
Não a dos outros, minhas mesmo.
As danadas amanheceram comigo.
De pés no chão sobre as legítimas comecei a função arrumação.
Lava aqui, guarda ali, separa lá, ajeita aqui e pontualmente às 12:07 chega o primeiro convidado que veio com pacote completo, só faltou o papagaio.
Às 13 chega mais um. Veio na versão solo, às 13:21 mais um pacote e para arrematar às 13:45 mais um solo.
Cenário completo.
A galera da cozinha já aquecia as caldeiras. Eu e minhas chatices no meio.
Desce para uma, duas, tres, quatro coisas. Desce uma, duas, três, quatro...muitas vezes. Casa de dois andares sabe como é né? Quando menos esperamos lembramos que não trouxemos aquilo que era pra ter sido trazido na segunda vez que fomos lá embaixo( essa já era a décima segunda). Panturrilhas dando o gás.
Enfim de novo.
A cozinha estava na função máxima e eu no sobe e desce.
15:00 o almoço é servido.
Ufa!
Blá, blá, blá, hahaha, nham, nham, nham e o segundo turno começa.
Lava daqui, conversa dali, varre de cá e o dia vai se despedindo.
Pausa para o café. Rede, pernas para cima, bate papo, tchibuns e o manto escuro veste o céu.
Após os arremates finais ficou uma sensação de vazio. Tipo aquela: "aconteceu alguma coisa aqui?"
Agora ouço só os grilos reinando lá fora.
Aqui dentro ainda me debato com minhas chatices, mas não deixo de questionar o que foi mais importante. A comida ou a companhia?
Fiquei com um pouco das duas.Confesso que fiquei com fome.
Fome de estar junto de verdade.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Cheguei

Então...
o ano era 66, fevereiro, 20. Domingo de carnaval, noite. Maternidade Dom Bosco.
Cheguei a esse planetinha meio ressabiada, me agarrando às entranhas de minha mãe num apelo do tipo: me deixem aqui, mas...
Nasci pela barriga. Me tiraram de lá.
Cheguei careca, branquela, banguela e magrela.
Eu sou uma ELA!
A Ela ganhou nome, sobrenome, endereço e um sem números de incertezas.
Nasci aqui, nesse pedaço de cerrado. E você?
As Adrianas estão reunidas...deu um trabalho juntar todas elas, mas valeu demais o esforço.
Elas são lindas!!!!!!!



Rastros

Estou me sentindo mal.
Sentindo um excesso de palavras.
Um excesso de mesmices.
...
Há uma dificuldade em ordenar o pensamento, em ser clara sem ser estúpida ou mal educada.
Falta delicadeza.
Falta senso amoroso, porque o crítico está meio contaminado pela culpa.
...
Estou me sentindo mal .
Cabeça cheia.
Peito doído.
Empobreci.
Cada sentimento expressado revela uma borda a mais do que é para ser. Do que sou.
Sobras.
...
Sobro.
Quanto mais sobra, mais pobre eu fico.
Assim : palavras demais, práticas de menos.
Cansei desse jogo de adivinha.
"Entre no palco sem maquiagem por favor!" - alguém grita de minha platéia.
"Entre com sua roupa mais surrada, com a poeira de seus dias e a fome que humaniza. Mas, entre."
...
Não quero holofotes. Eles cegam. Quero apenas a razão dos dias, a suavidade da fé e seu abraço.
Não quero conivências, nem acordos magros, muito menos falas bonitas. Não quero querer tanta coisa.
Você está ouvindo esse silêncio limpo? Essa atmosfera fresca e suave que a chuva nos deu de presente? Ouça, sinta esse silêncio.
Ele sou eu....
Ele é a novidade de meus dias.