segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Maquiagem , coloral e outras histórias

Sábado foi o Grande Dia para uma pessoa da família e euzinha fui convocada a estar no altar desempenhando o doce e suado papel de madrinha. Muito bem . Vestido alugado , acessórios escolhidos e salão marcado sigo para Goiânia . A chegada foi meio tensa , muita chuva , um certo trânsito e um apuro crescente , pois o tal salão estava marcado para às 16:00 e já eram 15 :40 ! Primeira etapa vencida : cheguei a tempo. Fiz um cadastro ,provalvelmente para futuras visitas e imediatamente já me encaminharam para lavar o cabelo . Madeixas lavadas e sensação de peão à parte sigo para a Cadeira da Val . Pelo jeito essa tal de Val tem patente alta no salão. Me senti a mais chic, afinal eu estava na cadeira da Val !!! Eis que ela aparece e para minha decepção de cronista não teve tapete vermelho nem quilos de assistentes ao redor dela. Só ela , no seu uniforme pretinho básico , com cabelos presos a la "não aguento esse calor" e um sorrisão estampado no rosto. Como não sou madrinha de primeira viagem já fui logo pegando uma dessas revistas de penteados que enganam bem a gente. Porque que nas revistas eles ficam impecáveis ? Enfim . Comecei a folhear a dita cuja a procura de coques meis estilosos , já que um vestido longo aceita muito bem os tais . Olha daqui , olha dali e nada até que Val "aparece" com sua opinião direta : "esse aqui fica bom. A gente deixa desfiado , mais soltinho e com ar mais moderno". Topei na hora , já que assumi que rugas e certas marcas faciais podem ser "escondidas" nestes truques estéticos ( só se for da gente mesma porque está na cara a tatuagem dos anos). Muito bem , vamos em frente . Armada de secador e pente ela começa seu ofício . Sabe o que elas fazem com naturalidade ? Falar com você enquanto secam seu cabelo !!! "O que ?" "Não entendi o que você disse !"" Ãhn ? Ah , tá. " Até que desisto de entender e apenas retribuo com aquele sorriso de paisagem. Ela deve ter pensado : "nossa que cliente simpática!" Detalhe : não entendi patavina do que ela disse . Seguindo na arte de secar e conversar ela desliga sua "arma" e diz que vai me deixar pronta para maquiar e que só depois de feita a maquiagem é que ela vai finalizar o penteado. Agora com pentes , grampos , "piranhas" e muito jeito ela puxa daqui , separa dali , escova para lá e tcham , tcham , tcham ! Eis-me com os cabelos enrolados , uma redinha para firmar e dois macinhos de algodão. Um em cada orelha porque ainda tem mais uma etapa : o secador!!!! Ahhhhhh , quase gritei quando vi que aquele monstro do calor ia me atazanar por longos 25 minutos!!!! Sem argumentos fortes o bastante me rendi ao dito cujo e como presa que vai para o abate sentei na cadeira e "paguei" meu castigo.
Ufa ! Sobrevivi.
Val já havia me orientado seguir direto para a maquiagem . Aí é que vem o engraçado da história : fila de espera !!! Saca maquiagem em série ? Pois foi o que vivi nestes minutos de espera. Meus amores , éramos pelo menos umas cinco esperando a vez.Sendo que as quatro maquiadoras estavam ocupadas . Saquei a do salão : cabelo em série , maquiagem em série , manicures idem e quilos de noivas. Ah , a indústria da beleza !
Eu estava " de próxima" na maquiagem , portanto esperei pouco . Me sentei na cadeira da Camila , gente só tem gente importante aqui ! " Oi , tudo bem ? Como é seu nome ? Oi Camila , me chamo Adriana ". Novamente consultei uma revista mais folheada que tudo. Achei um vestido cujo as cores eram parecidas com as do que eu aluguei. Imediatamente mostrei a Camila e ela sacou as cores que usaria. Meio caminho andado. Mais uma confissão : acho relaxante ficar ali recostada enquanto alguém estampa na minha cara sua obra de arte. Pó para cá , esponjinha pa lá , esfrega , esfrega , esfrega , disfarça , disfarça , disfarça e lá estou eu , ou melhor , outra eu . Nossa ! Ficou muito legal e bonito ! Enquanto estou no meu momento relax/maquiagem uma das que ainda esperam sua vez diz que para diabete açafrão é muito bom. Alguém pergunta o que ela disse e ela responde : açafrão . " Ah , aquele amarelo ? Sim . Mas como é que chama o outro ? Coloral . Não , não é esse que se toma é o açafrão" . Comecei a rir e a me deliciar com este universo puramente feminino. Quem já fez maquiagem e trocou receita para diabetes com todas opinando no que é melhor você fazer ??? Nós e nossa pluralidade cúmplice !
Volto para a cadeira da Val e ela recomeça o que , espero , vire um coque estiloso. Ela rapidamente tira a redinha , os macinhos de algodão , os grampos e dá uma massageada nos cachos. Vocês já viram algo entre a Medusa e o monstro de Lockness ? Pois foi isso que se apresentou no espelho . Pavor total . Cheguei a duvidar que dali sairia um penteado , ou , algo próximo disso . Seja o que Deus quiser !
Outra sacada : elas não tem dó nenhuma de seu cabelo. Se é para desfiar , puxar , esticar , enrolar... é com elas mesmo . Ai meu cabelinho !!!
Afofadas à parte e devidamente enroladas atrás da cabeça , minhas madeixas finalmente viraram o tal coque estiloso .
Saí do salão com pressa , feliz e seguramente mais pesada : quilos de pó na cara e zilhões de grampos na cabeça , mas esta é outra história.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Cenas que jogam

Dias desses fui ao Jogo de Cena. Para quem não conhece este "evento" é uma espécie de vitrine da cena cultural da cidade. Existe , ou , persiste há pelo menos 24 anos . Há 24 anos eu tinha 21 lindos anos, há 24 anos eu tinha cabelos que dançavam nas Feiras de Música e nos Jogos de Cena. Era o então Teatro Galpão , hoje espaço Renato Russo. Nos idos de 85 a cena cultural da cidade fervia e clamava por espaço e eis que das idéias borbulhantes de um grupo de produtores , atores e etc nasceu este que mensalmente , hoje , trás aos palcos a mesma efervescência cultural , mais moderninha , mas ainda irreverente e de braços abertos como antes. Naquele tempo Plebe Rude , Capital Inicial , Legião Urbana , Capacetes do Céu , entre outros ,ainda plantavam suas sementes. Brasília começava a despontar no cenário cultural do país e nós , cabeludos e cabeludas de então éramos figurinhas carimbadas na platéia. Por falar em platéia não posso deixar de mencionar o projeto que , a meu ver , é insuperável : Cabeças ! Muitas foram as tardes no parque da cidade !!!! Lá sim os cabelos voavam livres , pois ficávamos ao ar livre , bebendo cultura , beleza e muito por de sol.
Porque resolvi falar disso ? Não sei , bateu vontade . Talvez uma vontade grande , dessas que não cabem na mão , de homenagear a criatividade , a vontade , a arte , a cor e a irreverência da vida.
Arte de viver.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Clarice


Minha alma tem o peso da luz.
Tem o peso da música.
Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita.
Tem o peso de uma lembrança.
Tem o peso de uma saudade.
Tem o peso de um olhar.
Pesa como pesa uma ausência.
E a lágrima que não se chorou.
Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Flores


Sábado passado dia 14/11/2009 tive a grata oportunidade de passear em um jardim de muitas flores. Eram tantas e tão coloridas que não me cansava de admirá-las. Cada uma com uma história linda , com um colorido bem próprio e com uma luz estonteante. Todas as flores vestiam vestidos. Todas as flores vestiam cores , todas as flores dançaram ao vento , todas as flores eram flores !
Embevecida por tanta beleza quase não percebi que eu também era uma flor daquele jardim ! Dancei , colori e sorri.
Me descobri flor. Na minha delicadeza e na minha beleza vou trilhar meu caminho. Vou enfeitar muitos jardins . Vou partilhar essa delícia que é ser MULHER !!!!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Elegância

A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO...



"Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais.
É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer... porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros.
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição...
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. É elegante a gentileza.
Atitudes gentis falam mais que mil imagens... Abrir a porta para alguém é muito elegante... Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante... Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma... Oferecer ajuda... é muito elegante... Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente elegante...
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-lo."

Adaptação de texto extraído do Livro: EDUCAÇÃO ENFERRUJA POR FALTA DE USO [pintor francês e deficiente físico, Henri TOULOUSE LAUTREC (1864-1901).

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Parabéns para mim


Um ano e quase 1 mês de blog...
É isso aí minha gente. O tempo passa , sempre passará.
Passarinho , passarei.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sabor de conquista


É assim que estou me sentindo : vitoriosa.
A gente tem filhos , chora por eles , com eles , por causa deles, chora. A gente ri deles , com eles , para eles. Ri. Os anos vão se revezando no tempo e a gente vai revezando as "preocupações". Das mais simples as nem tão simples , afinal somos bobas mesmo. No entra e sai dos anos e preocupações as conquistas ganham espaço especial , pois TUDO é conquista. Do caminhar sozinho ao dente definitivo , do dar a mão para atravessar a rua ao ganhar a cidade de bicicleta , do bê - a - bá na escolinha às redações no vestibular e por aí vai.
Hoje , dia 11/11/2009 ganhamos uma universitária ! Ganhamos mais sabor , mais confiança , mais certeza de que tudo vale à pena , não pelo fato de agora termos uma universitária em casa , mas pelo fato de termos cumprido uma tarefa, talvez a mais sublime : deixar para o mundo um ser-humano que caminha com as próprias pernas , que está na sua busca pessoal , que está , cada vez mais , florescendo para a vida !
Que assim seja.
Amém.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Silêncio , o dia chegou


A casa acordou.
Por ordem de saída um a um seguiu para o dia.
Lá fora a passarada avisa que o sol já se precipita no horizonte.
As preguiças , aninhadas nos lençóis quentes, reclamam.
Abro a janela e encontro muitas nuvens. É como se elas não quisessem que o calor e a luz do astro - rei nos brindasse no dia de hoje e com isso inibissímos nosso movimento de seguir.
Aqui , agora, há o vazio do silêncio , há o espaço descomunal que os pares deixaram.
O relógio badala sete vezes . Hora de me despedir dos lençóis e seguir para o dia.
Como um ritual religioso espreguiço a casa de minha alma , visito o banheiro , troco as vestes noturnas e sigo para a cozinha. Algo leve é escolhido .
Ouço mais uma vez a passarada. Parece que estão numa discussão sem fim sobre o tempo.
As cadelas , no papel de guardiãs , latem raivosas para um visitante da mesma espécie.
É , a manhã chegou. Trouxe com ela mais um dia , mais uma etapa , mais um passo. Mais uma repetida e intencionada caminhada para frente.
Daqui a pouco seguirei para meu dia lá fora. Levarei comigo o silêncio , o espaço , a intenção de olhar para o Alto e reverberar gratidão.