sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O Congado e a canção de Aragorn

Dias atrás estive nas terras de Minas.
Terras perdidas nos interiores da fé, da devoção, das plantações fartas de café, das gentes puras e grandes de coração.
Estive lá cantando os antepassados, honrando as origens, respirando poeira, nutrindo  o coração.
Andei pelas ruelas, subi e desci ladeiras. Agradeci.
Assisti os lamentos , lamentei para purificar. Vivi.
Acompanhei reis, rainhas e suas gentes, que somos nós. Eu e você.
Presenciei amores, encontros , despedidas e desci nos dois lados da mesma viagem.
Lágrimas de gratidão escorreram por olhos, vários. Os meus , os nossos. Os santos olhos que tudo veem.
Prumo.
Ouvi vozes vindas dos ecos do passado. Ouvi vozes vivas nos ecos do presente. Ouvi vozes, muitas vozes. Das avós, das mães, das filhas e suas heranças.
Conheci um povo que labuta na dureza da enxada, luta pelo sal e reza ajoelhado porque rezar é sinônimo de respeito. Simples assim.
Dei voltas, muitas. Andei por terras altas, médias e profundas.
Ouvi mais canções, algumas vindas de tempos mais antigos.
Um rei que cantou para seu povo, honrou sua vitória entoando a pureza de seu coração. Mais lágrimas.
Ouvi outro rei que honrou sua gente e reverenciou seu súdito num gesto de reconhecimento franco.
Ouvi, senti, vivi.
Sentei sob a sombra da grande árvore da vida e molhei meus pés em águas refrescantes.
Um sopro abençoou meus cabelos, sorriu na minha alma e seguiu cantando assobios.
Foi assim. Leve , intenso e belo.
Corpos e cantos que formam o círculo perfeito da vida.