terça-feira, 14 de julho de 2009

Amigo e estrelas

Há poucos minutos um amigo meu saiu aqui de casa. Faz tempo que amigos meus não vem a minha casa e tecem conversas sem fim sob um céu estrelado ( tudo bem que estávamos na copa, mas o céu estava lá). Conversas tecidas a pão com manteiga, café, pastelzinho de carne e dois copões de sorvete! Lá fora as estrelas testemunham nossa comunhão escutando caladas frases sem sentido e o sentido das coisas. Abraçado a elas o silêncio negro da noite nos acompanha, às vezes interrompido por um ou outro cri-cri de grilos e ou por aviões distantes com suas turbinas aceleradas. Mas a conversa acontece, acontece e acontece. As horas passam igual arrepio bom : rápido demais!
Nossas vozes vão desde vida extraterrestre a literatura universal, passando por educação, filhos e mesmices do cotidiano.Lá vem o arrepio... a cadeira incomoda um pouco, mudamos de posição, erguemos os pés, descruzamos os braços e lá vem mais prosa. É tanta que muitos arrepios depois o "tonel ainda está cheio d'água". Assim vamos aguando nossos jardins com lembranças e mais lembranças.Não necessariamente do passado e sim de nossa realidade humana, tão frágil e contraditória.Tão rica e estafante.Tão bela e tão pequena.Tão humana!
As costas doem, o sono chega, mas relutamos bravamente , pois este é um momento de raro encontro, queremos beber mais dessa fonte! Mas , casos depois nos rendemos às obrigações, afinal amanhã é " dia de branco".
Assim , nos despedimos com um abraço desses que transportam a gente para outros mundos e ele vai embora.
Fico aqui cheia de gratidão e perfume.
Solto um cuidadoso "vai com Deus".
Não só vá com Ele, mas que Ele esteja sempre contigo!
Meu amigo.

terça-feira, 7 de julho de 2009

"We are the world"

Esta frase que na tradução livre é: nós somos o mundo, me fez refletir no real significado dessa "pertencência". Olhando para um lado vejo fome, desigualdade, miséria, guerra, discórdia,medo, mentira,desespero,violência e mais violência.Olhando para outro vejo lindos jardins fraternidade,abraços,cuidado,afeição,troca,respeito, beleza e alegria. A qual dos dois nós pertencemos? Ou qual dos dois somos nós? Ambos.Esse antagonismo entre luz e sombra balança na gangorra da existência.Não somos isso ou aquilo, somos isso E aquilo.Qual dos 2 cães sobressairá? Aquele que alimentarmos melhor. Me convido a acolher minha sombra e transcender meus abismos, pois assim como Gandhi quero ser a mudança que quero para o mundo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Dias de lua

Hoje é dia de lua cheia, dessas que explodem no céu e clareiam até os horizontes mais distantes. O manto escuro da noite abre os braços para esse clarão de plenitude e abundância. É tanta belezura que as palavras somem.
Foi sob as bençãos dessa luz que recebi em minha casa duas visitas que aqueceram minhas memórias de família . Filha de prima e amigo quase irmão.Estes 2 personagens trouxeram suas vidas por breves 5 dias.Tão breves e tão eternos que fui e voltei às distâncias de minhas raízes uma porção de vezes. Descobri e resdescobri as delícias da ternura quando sabemos da afinidade e da humanidade.
Agora, nesse vazio que o silêncio da casa vazia me apresenta, penso em quantas voltas já dei e em quantos relações familiais já tive...muitas, tantas que o infinito desaparece. Estou sentindo um frio no peito, desses que só se aquece quando abraçamos alguém.Não um abraço qualquer. Aquele abraço que a gente se entrega e deixa o outro chegar, que trocamos nossos calores, que "perdemos" longos e intensos minutos apenas estando ali.
Percebi a admiti para mim mesma minha fome de gente.Gente que trás o laço de sangue, o laço do abraço.
A lua me abraçou e girou, girou.Fez de mim um compasso, me colocou nos seus braços e fez brotar estrelas de nomes e eras.
Agora sou lua.
Plena, clara e luz.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Mudança

De fato e de direito.
Mudei.
Eu, eu de novo e minha tralha. Correção: minhas coisas(externas e internas) que fui acumulando ao longo destes anos de prática profissional.
Sabe quando chamam a gente de uma forma que não temos como não "ouvir"? Pois é.
Fui chamada e com muuuuita ênfase.
Cá estou, lá estou.
Hoje mudei.Hoje cansei.Hoje outro espaço se desenha. Hoje, sob as bençãos da vovó Lua, rumo para outro Norte.
Mudança, essa dança que não tem fim vai desenhando nos solos do caminho nosso passo incansável.