Difícil querer falar e não ter ouvidos para ser escutada, ou, encontrar as palavras certas.Talvez o silêncio seja a palavra.
Difícil ter uma caminhada de 22 anos e sentir-se "obrigada' a ficar reinventando o dia a dia, ou, pelo menos a crença de.
Difícil conhecer o próprio espaço, saber da repetição e muitas vezes ceder a ela.
Difícil saber da mesmice e sorrir na tristeza de não ter forças, ou, querer não ter para amanhã acordar e sentir que ,de fato,brotou algo, outro algo na mesma terra boa.
Difícil olhar no espelho e sentir o colágeno dos anos escorrendo pelos veios da face.
Difícil acreditar, ainda,não saber falar e querer ser acolhida e compreendida.
Difícil harmonizar a balança da razão leve e certeira com o setimento puro e perspicaz.
Difícil não ser ridícula na ridícula porção humana que, neste momento,abarca meu Ser, que me veste e limita.
Difícil é falar de nós, de mim, de você e tantos outros quando tudo o mais se cala.Não nos conhecemos, ou, reconhecemos. Há outros,somos os mesmos outros.
Me sinto em vários momentos rodeada de paredes, isolada em uma parede ou convivendo com ela. Cada qual com seu nome, porém não menos parede.
O que me toca agora é a mesma ponta da meada que desfio há montanhas de dias.
Me sinto só no que sei de mim mesma e isso paradoxalmente me basta.
Muito olho e nada vejo.Se enxergo alguma coisa talvez não qualifique.
Não sou modelo de nada e muito menos de alguma coisa, qualquer coisa.
Quero estar na espontaneidade de mim mesma.