quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Início da jornada

"Não me chamo Guaracy, Iracema ou Tainá.
Sou das terras de cá.
Elefantes,camelos ou riquixás.
Nada disso é de se admirar,
nas terras de Brahma, Kali e dos chás.
Estou indo, estou chegando,
na terra dos marajás."

Ok. A rima é pobre, mas a jornada é mais que verdadeira. Neste momento consumo os minutos da "cyber-rede" no aeroporto de Guarulhos.Consumo para passar o tempo, para passar as horas, para passar e deixar nas palavras o que a alma já sente.
"Vou me embora para Pasárgada"...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

4.3

Sexta passada ,dia 20, completei 43. Ganhei céu azul, noite estrelada e muitos corações compartilhados. Tive o prazer de receber amigos queridos em minha casa, de sorrir e ressoar meu som de alegria e contentamento pelos ares deste dia. Gratidão.
Excelente maravilha! Diria um certo compositor das violas das Minas Gerais.
Me completei mais um pouco,mais um pedaço se juntou e se alquimizou nesta que agora vos fala. Nesta que já foi tantas, "é" muitas, será várias. Misturadas e mimetizadas se transformam em MIM. Que sou EU...
Esse mim que rega seu próprio jardim, que sabe soltar as velas e deixar o vento levar.Esse mim possuído de si mesmo, repleto de espaço e pleno de vida!
Estou encharcada de chão, ávida de mar e absoluta de possibilidades.
Meu vôo agora é alto.Vou dos píncaros as profundezas. Sou asa e raiz. Nem cá , nem lá.Já.

Manoel de Barros

" Eu tinha vontade de fazer como os dois homens que vi sentados na terra escovando osso. No começo achei que aqueles homens não batiam bem. Porque ficavam sentados na terra o dia inteiro escovando osso. Depois aprendi que aqueles homens eram arqueólogos. E que eles faziam o serviço de escovar osso por amor. E que eles queriam encontrar nos ossos vestígios de antigas civilizações que estariam enterrados por séculos naquele chão. Logo pensei de escovar palavras. Porque eu havia lido em algum lugar que as palavras eram conchas de clamores antigos. Eu queria ir atrás dos clamores antigos que estariam guardados dentro das palavras. Eu já sabia que as palavras possuem no corpo muitas oralidades remontadas e muitas significâncias remontadas. Eu queria então escovar as palavras para escutar o primeiro esgar de cada uma. Para escutar os primeiros sons, mesmo que ainda bígrafos. Comecei a fazer isso sentado em minha escrivaninha. Passava horas inteiras, dias inteiros fechado no quarto, trancado, a escovar palavras. Logo a turma perguntou: o que eu fazia o dia inteiro trancado naquele quarto? Eu respondi a eles, meio entresonhado, que eu estava escovando palavras. Eles acharam que eu não batia bem. Então eu joguei a escova fora."

O texto é de Manoel de Barros, o poeta pantaneiro que escava poesia no concreto do dia-a-dia. Abre as memórias inventadas da infância, primeiro da trilogia autobiográfica deste que é um dos maiores poetas vivos do Brasil. Manoel já passa dos noventa anos de idade e carrega a pureza de quem só teve uma idade e que a eternizará: a infância. Dividiu sua biografia e suas memórias inventadas, porque afinal diz com toda sabedoria que tudo o que ele não inventa é falso, em três infâncias: a primeira, a segunda e a terceira. Poderia eu passar a vida lendo e relendo Manoel. Decidi encerrar a semana aqui no blog com esse texto dele porque traduz bem o que sinto depois de tanta intensidade vivida nos últimos dias. Também quero escovar palavras, alimentar-me delas, presenteá-las aos amados, acariciá-las em minha solidão, escutar seus silêncios e todas as suas vozes. O tempo pode roubar-nos a agilidade, a força, a exata percepção das coisas, mas jamais conseguirá nos roubar o acalanto da palavra, das palavras todas, as ditas, as não ditas, as escritas, as pensadas e as inventadas.
Alessandra Roscoe

Colei o texto da Lê aqui pq achei bonito.
Ponto final.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A pelada do agora

Quero andar sem sentir o peso do tecido, o aperto do elástico, a limitação do jeans.
Quero andar de cabelos soltos, de chinelos e sem documentos.
Quero ser minha estrela guia que vaga nos meus céus sem esperar pouso ou agonia.
Quero ser e estar aqui,aspirando e respirando esse intervalo de existência.
Quero o não e o sim para assim cuidar do talvez.
Quero engravidar da lua, quero parir a rua para poder andar sem medo. Nua.
Quero assistir aos desfiles com suas cores e sabores e depois me extasiar com o silêncio.
Quero sentir os arrepios das certezas e colher frutos no pé.
Quero andar pelada no agora , no único instante que possuo.
Quero cantar aos ventos e levar minhas preces aos cantos do mundo.
Quero aqui, quero o agora.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Voltinhas.

Tenho me questionado aonde ainda quero chegar.Talvez no lugar que acredito,ainda,ser o mais difícil: em mim mesma. Estou na iminência de completar 43 e olhando à minha volta procuro onde está o que quero mais.O q será q quero mais??? Ou mais quero? Mim mesma.Esse mim mesma é tão vasto ,tão amplo, tão distante e absurdamente próximo que minha percepção tacanha não vê. Ou se vê, não sente.E se sente teima em não realizar. Ah, as risadas soltas dos momentos de ser... já percebeu q quando damos aquelas risadas gostosas nós simplesmente somos as risadas? Nada mais tem lugar em nós ,ou, ao nosso redor.Só risos.Todas as cordas diminuem sua tensões, as amarras se esquecem de nos prender e lá vamos nós flutuar por nossos medos rindo deles. Que delícia!
Ontem estava pensando nas coisas que um dia desejei, nos meus sonhos e me deparei com uma coisa, ou várias: eu os realizei! Uau!!! Todas, todos,pelo os que me lembro e tenho consciência. Na adolescência, ou entrando nela, sonhava ter filhos, casar, ser famosa.Qual adolescente não sonha com isso? Pelo menos as que estão no famigerado padrão (euzinha). Não sou famosa para os outros, estou sendo para mim mesma. Que sacada bárbara! Sou mãe, mulher, amante,esposa...psicóloga.Falando nisso ando em crise com ser pisicóluga - escrevi errado de propósito, soletrando mesmo. Ai, estou boring. Essa parte da esposa, amante e mulhar tb está dando voltinhas no meu estômago.Preciso soltar mais amarras...esse movimento de pensar demais me provoca motion sickness. É muita voltinha para uma cabecinha só gente!!!
Acho que o tal do inferno astral chegou.Afinal completo 43 dia 20 próximo.
Quero voar.
Fui.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Revolution road

Filminho sem pretensões.Mexe e remexe com "certezas" e sonhos. Caídas no óbvio, saídas que alimentam o alívio,projeções, respiradas e conflitos. Assim um casal se encontra e se desencontra, se revela e se antagoniza agonizando nos sonhos de ar... respirar.Seguir o coração que pulsa em outra normalidade.
Crescer muitas vezes nos situa , outras tantas nos sufoca e nos amarga. Essa dança vai desenhando a vida de cada um de nós.Nos trás à realidade, nos coloca em pé,alerta para o que é possível e para o que é romance.
Sou uma eterna romântica.
Sou possível.
Sou antagonismo e equilíbrio.
Sou.