Daqui 17 dias completo 49 giros em torno do Sol. 49 anos, 49 chances que me foram dadas.
Há algum tempo ensaio escrever um texto que conte minha história. Já o fiz mentalmente , mas nunca terminei. Acredito q só se termina uma história nas telas dos cinemas. Na vida real somos uma continuidade do "felizes para sempre".
Nessa existência nasci brasileira, brasiliense, branca, mulher, alta, magra, tímida e pisciana. Nasci nas porcentagens privilegiadas de nossa sociedade. Ou seja, sou uma das poucas que tem água encanada em casa, comida no prato, formação acadêmica e dentista. A ordem dos fatores não altera a realidade.
Nos idos de 66 cheguei à Terra mais uma vez e desde então venho acumulando dias e desacumulando crenças. Será que viver é isso? Desacumular crenças? Também.
Sintetizando:
um dia acreditei que não era desse planeta. Ainda acredito que não sou, mas o deslumbre que o planeta azulzinho me causa me faz agradecer cada instante passado aqui.
Faço parte de uma massa "consciente", que assiste a isso tudo que vemos e vivemos e falamos e pouco ou nada fazemos.
Fome.
Pobreza.
Vícios.
Guerras.
Mentiras.
Roubos.
Nós.
...
Falo dos desmandos que sistematicamente se alternam nos poderes, das misérias que se curvam aos séculos, das rixas religiosas e suas insanidades em nome de um Deus que só tem um nome: Amor. Falo dos campos de concentração, das barbáries em nome do progresso, das etnias indígenas e seu sangue que mancha as terras desde priscas eras. Das corrupções que corroem todos nós.
Olho através da tela quadrada de minha tv e encontro minha confortável conformidade e mentirosa segurança. Avisto uma ilha que mais parece uma arena romana onde a morte leva a população ao delírio. Nada disso parece me pertencer, mas imediatamente lembro que faço parte disso tudo. Bendita respiração ! Redentora e dura. Trás à vida e nos joga naquele barco sacolejante do aqui e agora. Nos amplia e reduz sem esforço, como se fossemos bonecos infláveis que se enchem de si mesmos para no segundo seguinte esvaírem-se num nada assombroso ...
Estamos num momento conturbado. Crise hídrica, crise cínica, crise híbrida. Água que some, Clube que tem como sócio os manés que somos eu e você. As verbas que viraram verbo, as promessas que fazem aniversário nas geladeiras das campanhas, as ações mumificadas nos tribunais, órgãos públicos que de tão inchados necessitam de uma drenagem de seriedade.
Brasil, pátria educadora. Taí uma crença que não quero desacumular. Educação com amplo e irrestrito acesso, livre, onde as escolas sejam Escolas e não espaços abjetos repletos de desestímulos.
Nessa toada muitas vezes descompassada a vida vai criando a si mesma. Vai resistindo e superando seus próprios obstáculos para que lá no final todas as cores possam brilhar.
É nessa aquarela que meus 49 chegam e percebo que preciso de mais tempo para colorir mais, para praticar o AMOR.
Numa tela qualquer eu desenho um sol amarelo...
Há algum tempo ensaio escrever um texto que conte minha história. Já o fiz mentalmente , mas nunca terminei. Acredito q só se termina uma história nas telas dos cinemas. Na vida real somos uma continuidade do "felizes para sempre".
Nessa existência nasci brasileira, brasiliense, branca, mulher, alta, magra, tímida e pisciana. Nasci nas porcentagens privilegiadas de nossa sociedade. Ou seja, sou uma das poucas que tem água encanada em casa, comida no prato, formação acadêmica e dentista. A ordem dos fatores não altera a realidade.
Nos idos de 66 cheguei à Terra mais uma vez e desde então venho acumulando dias e desacumulando crenças. Será que viver é isso? Desacumular crenças? Também.
Sintetizando:
um dia acreditei que não era desse planeta. Ainda acredito que não sou, mas o deslumbre que o planeta azulzinho me causa me faz agradecer cada instante passado aqui.
Faço parte de uma massa "consciente", que assiste a isso tudo que vemos e vivemos e falamos e pouco ou nada fazemos.
Fome.
Pobreza.
Vícios.
Guerras.
Mentiras.
Roubos.
Nós.
...
Falo dos desmandos que sistematicamente se alternam nos poderes, das misérias que se curvam aos séculos, das rixas religiosas e suas insanidades em nome de um Deus que só tem um nome: Amor. Falo dos campos de concentração, das barbáries em nome do progresso, das etnias indígenas e seu sangue que mancha as terras desde priscas eras. Das corrupções que corroem todos nós.
Olho através da tela quadrada de minha tv e encontro minha confortável conformidade e mentirosa segurança. Avisto uma ilha que mais parece uma arena romana onde a morte leva a população ao delírio. Nada disso parece me pertencer, mas imediatamente lembro que faço parte disso tudo. Bendita respiração ! Redentora e dura. Trás à vida e nos joga naquele barco sacolejante do aqui e agora. Nos amplia e reduz sem esforço, como se fossemos bonecos infláveis que se enchem de si mesmos para no segundo seguinte esvaírem-se num nada assombroso ...
Estamos num momento conturbado. Crise hídrica, crise cínica, crise híbrida. Água que some, Clube que tem como sócio os manés que somos eu e você. As verbas que viraram verbo, as promessas que fazem aniversário nas geladeiras das campanhas, as ações mumificadas nos tribunais, órgãos públicos que de tão inchados necessitam de uma drenagem de seriedade.
Brasil, pátria educadora. Taí uma crença que não quero desacumular. Educação com amplo e irrestrito acesso, livre, onde as escolas sejam Escolas e não espaços abjetos repletos de desestímulos.
Nessa toada muitas vezes descompassada a vida vai criando a si mesma. Vai resistindo e superando seus próprios obstáculos para que lá no final todas as cores possam brilhar.
É nessa aquarela que meus 49 chegam e percebo que preciso de mais tempo para colorir mais, para praticar o AMOR.
Numa tela qualquer eu desenho um sol amarelo...