Nos últmos dois dias quem se liga naquela coisa retangular que hipnotiza, entenda-se TV, percebeu que as damas que não querem usar o vermelho estão numa troca de sutilezas paquidérmicas de causar arrepios. Ditas as duas maiores emissoras de imagens do Brasil ( sim de imagens, porque o que falta definitivamente é conteúdo), Globo e Record escancararam sua paixão mútua por audiência a qualquer custo.
"-Espelho, espelho meu, existe no Brasil alguém mais poderosa do que eu?
Sim, a Record."
Pronto.Foi-se embora o companheiro de Narciso, mesmo que este tenha se visto na superfície de um lago, foi o espelho que ganhou mundos com a mal-fadada fama de refletir mentiras.
De tão viciado vivia no automático e numa tentativa vã de se libertar arriscou a vida falando o que não devia. É isso que acontece com quem fala o que quer: vira pó no picadeiro do grande circo midiático.
Confesso que não sei mais o que significa a palavra mentira, assim como a palavra verdade. Seus significados se tornaram tão vazios e desprovidos de qualquer crédito que no ringue das notícias o máximo que fazemos é girar nossos pescocinhos de cá para lá sem nos importarmos com quem está falando o que. Assistimos mecanicamente essa luta despropositada como se não tivéssemos nada melhor para fazer. Será que temos?
Considerações à parte parafreseio Lord Bacon com sua magnificência : " antes um Lord do que um porco de chiqueiro."
Quem foi Lord Bacon ? Não tenho a menor idéia. Mas esse negócio de nascer lá nos rincões de lugar nenhum, passar anos na engorda, confinado, para virar bacon na frigideira ? " Não. Sou mais ser Lord . Posso frequentar os melhores salões, as mais altas esferas do poder, me relacionar com as figuras mais estranhas desta fauna, passar a sacolinha".
Assim as linhas tênues de lama e vergonha são maquiadas e bem vestidas nos colarinhos brancos dos bailes da vida.
Como eu não gosto de bacon e muito menos tive espelhos viciados continuo por aqui me deliciando com a irrealidade absurda dos dramalhões televisivos que invariavelmente resvalam nessa realidade de cá.Ou melhor, se espelham.
Se espelham?
Espelho, espelho meu...
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