Ando me descobrindo nas frases e palavras de outras mulheres.Sinto até uma inveja "branca" porque é como se elas tivessem me roubado a fala, tamanha é a semelhança das descrições.
Olho para minha estrada de 43 anos e pareço vazia, ou, cheia de espaços que caberiam montanhas de livros. Montanhas, esse espaço de sabedoria e presença que me fascina e cala.
Sua presença nos perímetros de nossa geografia me conforta e acende uma vontade de escalá-las.São mistério e precipício, frio e proteção , certeza e infinito. Gosto das montanhas.
O que fazer numa tarde de um inverno tímido com um por de sol de arrasar? Ler e muito. Ando devorando livros dos mais diversos e descobrindo em mim uma total falta de preconceitos.Só com aqueles que são eleitos chatos nas primeiras páginas. Sei que partirei desta vida com uma pendência: muitos livros inexplorados, mas com uma certeza: o deleite puro por aqueles que meus olhos traduziram.
Filha de gente letrada e versada é comum,ou, natural que eu me des-cubra mais e mais nas incontáveis páginas dos livros.
Tenho uma única irmã que é muito sabedora de literaturas da vida, pois além de ser diplomada em Letras fez Jornalismo.Cá para nós: ela manda muito bem.Talvez ela não saiba disso, mas ela manda.
Meu pai com toda sua fleuma era daqueles que até as piadas eram intelectuais, não a história, mas sua postura ao contá-las.Era um cavalheiro no humor e na vida. Magro, alto, um vara pau diriam muitos, porém um verdadeiro cavalheiro.Teve na educação a rigidez de escolas militares, mas definitivamente não tinha jeito para coisa.Era por demais a favor quietude.Urbano até na veia.Campo? Só de futebol.Nada de ordens e gritos.Ele não suportava. Filho único de general com dona de casa, ainda jovem teve que sair para vida, pois um câncer levou minha avó quando ele tinha 17 curtos anos.
Minha mãe, já mais baixa e com curvas mais de acordo ao feminino é a filha mais velha de quatro irmãos. Os galhos das árvores eram poucos para as travessuras de sua infância e os castigos se perderam na roda da contagem.Traquinas era como a chamavam. Queixo cortado, pontos nos joelhos, hematomas,braço engessado... tudo motivado pela incansável vontade de ser criança.
Ano vai, ano vem e eles se conheceram quando meu pai foi fazer um trabalho no interior de São Paulo.
Desse encontro três frutos floresceram, apenas eu e minha irmã vingamos...a outra irmã ainda feto não chegou neste mundo.Cumpriu sua missão ainda no útero de minha mãe.
Assim, dessa história comum esse aglomerado ilusório que acredita ser eu está aqui tentando versar sua história.
Um comentário:
Irmã!!!! Como você escreve bem!! Lindamente! É... essa coisa das letras está mesmo no nosso sangue.
Fiquei comovida!
Beijos,
debi
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