22:10 , terça-feira , final de feriado . A moça da recepção pede um táxi . Minutos depois chega a "preciosidade" . Corsa sedan , branco , ano 97 , ou 98 ou 99 . O motorista num gesto de atenção abre a porta para eu entrar e pede que bata forte até fazer um barulho , pois assim ele terá certeza que ela fechou. Mando ver e blam , taco força para a dita cuja fechar . A paisagem interna do carro era algo entre o surreal e o cômico : forro do teto caindo , bancos tortos , forro dos bancos de "seda" bastante duvidosa , retrovisor na iminência de cair , amassados internos e externos (segundo o motorista) , ah o motorista ... esse merece atenção especial . Um personagem saído das criatividade bairrista e deliciosamente nordestina de mestre Ariano . Mais ou menos alto , magro , óculos fundo de garrafa , barbicha e bigode , cabelos escuros e um recordista verbal . Sim , um recordista . O cara fala rápido que só ! Oquequeéaquilogente ????? Narrador de corrida de cavalo fica no chinelo . Em 10/15 mintuos de percursso ele falou da família , dos planos de trabalho , do pai , avô , futebol , do tempo , do passeio que fez "outro dia" com a família , poruqe foi ser motorista de táxi , porque demorou para me buscar , porque , porque , porque . Daí percebi que eu não estava respirando , não deu tempo ! Pode ?
Num brevíssimo momento entre a próxima estória e a anterior consegui perguntar onde é o ponto dele . " É em Casa Amarela visse ."
Visse.
Após estes longos e divertídissimos minutos aportei em meu destino.
E lá se foi ele para sua casa , que talvez seja amarela.
Visse.
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