
"Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu. "
Fernando Pessoa
3 comentários:
Ei, Dri!
O seu blog é lindo! Uma delícia também! Por exemplo, adoro Fernando Pessoa!..
Voltarei sempre.
Te espero de novo na Torre.
Um abração!
Pedro Antônio
Opa! Que bom q vc gostou Pedro. É sempre uma agradável surpresa para mim quando encontro por aqui comentários assim ! Volte sempre.
Bj
Também gosto muito de Fernando Pessoa. "O poeta é um fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente". Lindos!
Postar um comentário