
A casa acordou.
Por ordem de saída um a um seguiu para o dia.
Lá fora a passarada avisa que o sol já se precipita no horizonte.
As preguiças , aninhadas nos lençóis quentes, reclamam.
Abro a janela e encontro muitas nuvens. É como se elas não quisessem que o calor e a luz do astro - rei nos brindasse no dia de hoje e com isso inibissímos nosso movimento de seguir.
Aqui , agora, há o vazio do silêncio , há o espaço descomunal que os pares deixaram.
O relógio badala sete vezes . Hora de me despedir dos lençóis e seguir para o dia.
Como um ritual religioso espreguiço a casa de minha alma , visito o banheiro , troco as vestes noturnas e sigo para a cozinha. Algo leve é escolhido .
Ouço mais uma vez a passarada. Parece que estão numa discussão sem fim sobre o tempo.
As cadelas , no papel de guardiãs , latem raivosas para um visitante da mesma espécie.
É , a manhã chegou. Trouxe com ela mais um dia , mais uma etapa , mais um passo. Mais uma repetida e intencionada caminhada para frente.
Daqui a pouco seguirei para meu dia lá fora. Levarei comigo o silêncio , o espaço , a intenção de olhar para o Alto e reverberar gratidão.
2 comentários:
Que lindo, Adriana! Suas crônicas da vida diária são de uma poesia comovente! Parabéns. Bjs.
Poesia pura.
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