Essa brisa suave que chega agora trás consigo lembranças de tempos imemoriais.A lembrança de quando minha voz ecoava nos ventos entoando canções de serenidade.A lembrança de quando ,aquietada, sorria um sorriso franco e largo, de quando fiz votos de entrega e me perdi nas montanhas com seus segredos. Meus vincos, que desenham minha história na minha face, são profundos como os vales que cruzei. Das mãos calejadas tirei o pão e a benção. Nos sussurros ouvi as orações e do silêncio amplo e presente construí meu ninho de solitude e entrega. Não sei quanto tempo faz, mas faço de mim um mensageiro do momento. Minha voz abrange os horizontes e testemunha o assobio do vazio. Neste e em qualquer outro tempo fui o que sou sem saber quando nem para que, mas com a certeza de estar no Caminho. Minhas intenções rasgam os espaços e se congelam nos medos.Num esforço de presa que foge do predador, me agarro às margens de mim mesma sem perder o foco no fundo e no mergulho.Meu profundo e meu mergulho.
Me calo.
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